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ambliopia

Oi pessoal, tudo bem? Acabei de fazer um live no Instagram juntamente com a Fiep, faculdade que oferece o curso de pós-graduação em Optometria Comportamental e falamos sobre um assunto que gosto muito e abordo em meu livro: ambliopia.

O nome confunde, tem gente que nem sabe que isso existe e tem gente que fica triste pois ouviu que ‘não tem mais jeito após os 8 anos’.

Calma! Primeiro vamos conhecer o que é e te conto que podemos sim te ajudar a melhorar esse olhinho. Começando…

O que é ambliopia?

Ambliopia é a baixa da acuidade visual em um ou ambos os olhos, com ou sem estrabismo. Pode desenvolver por uma anisometropia (um grau mais forte em um olho que em outro), estrabismo (que é uma adaptação à uma olho que está desenvolvendo errado), que são chamadas de Ambliopias Funcionais. Também temos as Ambliopias Orgânicas (ou patológicas), causadas por patologias nos olhos ou vias visuais. Mas neste post, minha ênfase é nas Ambliopias Funcionais, onde a função visual não está sendo (ou não foi) desenvolvida corretamente.

VISTA x VISÃO

Precisamos diferenciar o que é vista do que é visão. Quando falamos de vista, nos referimos à acuidade visual, que é a porcentagem de visão que temos – com e sem correção. O paciente amblíope, mesmo com a melhor correção óptica, não obtém 100% de vista (ou 20/20, como é comumente conhecido).

A visão é uma habilidade superior, muito mais do que apenas ver nítido ou não. Ela deve ser aprendida, assim como aprendemos a andar, falar ou ouvir. Nosso sistema visual nasce pronto pra ser usado, mas a visão precisa ser desenvolvida. Exatamente nesta fase, pode haver uma diferença na maneira como essa imagem entre através dos nossos olhos e chegam até o cérebro (por N motivos), e aí temos uma visão que não está desenvolvendo corretamente.

Isso implica em alteração na sincronia entre os dois olhos, como problemas no foco (acomodação), binocularidade (vergência, movimentos oculomotores e visão 3D) e, por consequência, problemas na construção do pensamento visual, conhecido como percepção visual ou processamento visual (ou seja, na pirâmide visual que expliquei em meu livro).

Por isso, dizer que ambliopia é um problema apenas de vista, é muito simplista. Quando há um problema de baixa na porcentagem visual, apenas rebaixamento da acuidade. Aquele lado inteiro do corpo da pessoa estará com habilidades restritas e não estarão executando suas funções da mesma maneira que o ‘olho bom’.

Vendo por esse lado, o comportamento da criança também pode ser afetado. Crianças amblíopes, comumente, são crianças inseguras, desastradas, não tem bom rendimento escolar nem gostam de praticar esportes. Isso ocorre pois a maneira como ela vê o mundo não é igual de um lado e de outro. Não há binocularidade nem visão 3D! Como uma pessoa caminha ou corre sem medo se não sabe a que distância estão os objetos? [já pensou nisso?]

Como se desenvolve Ambliopia?

Ambliopia desenvolve-se devido à um desenvolvimento incorreto da visão à nível cortical. Observe a figura abaixo:

Imagens corticais: acima, olho amblíope/estrábico fixando. Abaixo: olho fixador (‘olho bom’) fixando. Estudo de ‘ACHTMAN RL, Pike BG. 2001)

Olha a diferença entre o olho amblíope e o olho fixador! Ambliopia é um problema SENSORIAL, ou seja, está no cérebro. Esse incorreto aprendizado da função visual pode ter sido pelos problemas que citamos logo no começo deste post).

Como se identifica a Ambliopia?

Em casos de paciente que tenham estrabismo, seja latente ou intermitente, quando o olho está desviado, ou ele vê duplo ou essa imagem é suprimida e literalmente desligada; o cérebro ignora-a. Com a repetição desse quadro, acaba sendo totalmente ignorada essa imagem e, como não foi aprendido enxergar nem desenvolvido essa visão, mesmo colocando óculos, não melhora.

Nos pacientes estrábicos fica fácil perceber. Porém, há ambliopias que não estão acompanhadas de estrabismo. Na minha opinião, são as piores, pois os sintomas são sutis, não há desvio ocular… o que fazer?

É necessário realizar avaliação visual completa deste paciente. Como assim completa? Uma avaliação que avalie além apenas de acuidade visual e correção. É necessário que seja avaliado outras habilidade visuais essenciais (como citado acima).

O Optometrista Comportamental é o profissional ideal e preparado para te ajudar nestas situações, pois avalia a estrutura ocular e todas as outras habilidade visuais. (na presença de patologias, é imediatamente encaminhado ao especialista).

Como trata ambliopia?

Existem 3 maneiras básicas de reverter a ambliopia (e também pode ser aplicado para o estrabismo):

Oclusão: uso do tampão. Usado há 300 anos, tampa-se por horas o ‘olho bom’ para que desenvolva o amblíope. Porém, neste caso, não há integração da binocularidade. Ajuda no ganho de acuidade visual mas e necessário que seja indicado com parcimônia. Esta prática não é usada por Optometristas Comportamentais.

Penalização: aumenta ou diminui-se o grau do ‘olho bom’ para que fique um pouco mais embaçado estimulando o olho amblíope; ou pinga-se colírio cicloplégico; ou é usado oclusores translúcidos para a reversão da ambliopia. Todos esses são exemplos de penalizações e usamos no Brasil apenas este último, chamado de Filtro de Bangarter. Ele possui densidades diferentes para cada grau de ambliopia e usado juntamente com terapia visual.

Terapia visual: ahhh, agora sim! ♡ A terapia visual é um programa personalizado para cada paciente, uma série de exercícios visuais especias para que sejam trabalhadas todas as áreas que precisam ser integradas deste paciente. Sabe os 3 pilares da visão (a pirâmide que descrevi acima?) Pois é! Eles mesmos. Em terapia visual usamos ferramentas que permitem o ganho de acuidade visual, sincronia entre os dois olhos e correta percepção visual. É um programa completo pra melhorar a performance visual. Encontre um Optometrista Comportamental pertinho de você que ele poderá ajudar! (pode me mandar mensagem, pois se você não encontrar, eu te ajudo). Saiba mais sobre o programa de terapia visual NESTE post.

Até que idade se pode tratar a ambliopia?

Geralmente ouvimos que apenas até os 8 anos a ambliopia pode ser tratada. Mas será que esse povo nunca ouviu falar de PLASTICIDADE CEREBRAL?

Até os 8 anos somos muito mais sensíveis às mudanças, mas não quer dizer que após essa idade não é possível modifica-la. Claro que entre tratar um paciente de 7 anos e um de 37 é muito mais fácil o primeiro, mas eu posso ajudar a melhorar a qualidade de vida do segundo. Basta ter sensibilidade de explicar como tudo é feito e que ele entenda sua importância no tratamento. Eu nunca tive um paciente que chegou e saiu da mesma forma.

Mudamos a vida das pessoas através da visão.

Então, minha gente, quando você conhecer uma pessoa amblíope que acha que não tem o que fazer, lembre-se deste post. Eu nunca prometo nada ao paciente, pois cada caso é um caso, mas não há dúvidas da eficácia de um bom treinamento em terapia visual. Conseguimos resultados fantásticos.

Acredite em suas novas conexões cerebrais. Elas mudam você!

4 Comments

    • nubia

      Olá Valdinor, tudo bem? Que legal que você está estimulando seus olho *—* Única dica é: busque exercícios de binocularidade e fusão. Não basta apenas ter uma boa acuidade visual, é preciso que os olhos estejam integrados 😉 ótimo trabalho!

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