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celular e visão

“SAI DESSE CELULAR! CELULAR ESTRAGA A VISTA!”

Essa é uma frase frequentemente falada pelos pais e muito ouvido pelos filhos. Mas afinal, qual o problema real de ficar muitas horas exposto às esses dispositivos?

O excesso de uso de telas (celular, computador, tablet) podem causar desde problemas de postura, cansaço visual até mudanças anatômicas e sistêmicas em nosso sistema visual.

Eu vou dar ênfase para o celular pois ele está mais próximo que outros dispositivos, é móvel e mais acessível às crianças por toda essa facilidade, mas esse texto se aplica a todos os tipos de telas.

A combinação de celular + excesso à luz azul + muitas horas de exposição, pode resultar em sérios problemas visuais.

Até hoje, em questão de ‘luz’, a maior preocupação eram os raios ultravioletas (UVA e UVB), que são absorvidos pelos olhos quando expostos ao sol. Sabe-se muito dos efeitos destes raios mas pouco sabe-se sobre os efeitos a longo prazo da luz azul.

Nosso sistema ocular está preparado para filtrar a quantidade de raios ultravioletas antes que cheguem à retina – área mais sensível a luz que temos nos olhos. A córnea, esclera, conjuntiva, cristalino, pálpebra, todos juntos formam barreiras para amenizar os efeitos nocivos à mais delicada camada dos olhos.

Porém, a luz azul não é possível ser filtrada pelo segmento anterior do olho como os raios UV, incidindo diretamente sobre a retina. Esta direta e frequente exposição de luz azul, pode causa um efeito fototóxico nas células da retina, devido ao excesso de produção de radicais livres de oxigênio. Isto gera processos neurodegenerativos, desenvolvendo mais facilmente problemas, a longo prazo, de degeneração macular (perdendo de maneira irreversível a visão central das imagens) e, a curto prazo, problemas na secreção de melatonina, ligado ao controle do ritmo circadiano de sono e vigília e regulação de importantes hormônios.

A secreção inadequada de melatonina pode afetar significativamente na qualidade do sono, estimulando alterações endócrinas, com consequentes alteração do humor, aprendizagem e comportamento (devido ao excesso de cortisol).

Além do acesso da luz azul, as atividades de prolongada duração em visão próxima, podem gerar adaptações do sistema visual para que consiga manter a atividade por mais tempo. Essas adaptações podem vir por meio de forias (desvios latentes dos olhos), problemas no sistema vergencial – na sincronia entre os dois olhos (excesso ou insuficiência de convergência), problemas de foco (excesso, insuficiência ou inflexibilidade de acomodação), além de problemas binoculares e perceptivos.

Ressalto também, que o pigmento que transduz a luz azul está relacionado com o reflexo dos movimentos oculomotores (micro-movimentos de leitura e atenção visual), afetando no controle de luz que entra através da pupila e nos movimentos dos olhos.

NÃO APENAS A LUZ AZUL MAS O EXCESSO DE VISÃO PRÓXIMA PODE CAUSAR PROBLEMAS.

Alguns dos sinais reportados acima, fazem parte do que chamamos de ASTENOPIA DIGITAL: conjunto de sinais e sintomas relacionados ao excesso de uso dos eletrônicos. Confira:

  • Cansaço visual/ocular
  • Dores de cabeça após trabalho com telas
  • Embaçamento para visão à distância ao anoitecer
  • Fadiga visual
  • Visão dupla

É comum também o indivíduo reportar olho seco, inclusive crianças, reportando alterações lacrimais, ficando muito tempo sem piscar, rompendo a lágrima com mais facilidade, evaporando, dando a sensação de irritação ocular e olho vermelho.

Outra alteração que pode ocorrer é o aumento da miopia. Este tema é para outro post devido a sua complexidade, mas em linhas gerais, excesso de tarefas em visão próxima produzem um problema no sistema de foco, gerando embaçamentos após o trabalho em telas ou no final do dia, simulando uma miopia, mas é na verdade, um problema acomodativo.

Sem falar da questão postural. As telas diminuíram (antes a TV ao menos ficava longe), aproximaram dos nossos olhos e ficou tudo menor. Resultado: mais esforço para nossos olhos, mais adaptações que o sistema visual precisa fazer.

Devido as alterações que a luz pode fazer no sistema endócrino no, podemos perceber alterações de humor, irritabilidade, diminuição da concentração, problemas de sono e memória.

Deixo AQUI um estudo da Harvard falando sobre a luz azul.

O QUE FAZER?

Lendo tudo isso, dá vontade de comprar uma casinha no mato e não olhar para trás (hehe). Sabemos que é uma tendência o mundo digital cada vez mais presente em nosso dia-a-dia. O que fazer com nossas crianças para que tudo descrito a cima ocorra com menos frequência possível? C O N T R O L E

Controle o tempo que ele fica exposto às telas. A OMS recomenda ZERO exposição à telas até 2 anos de idade e máximo 2h até os 5 anos. Incentive seu filho a brincar ao ar livre, com outras crianças, usando a imaginação, movendo-se. Pular, rolar, correr são ações fundamentais para o desenvolvimento da criança.

Para jovens e adultos, AUTO-controle. Faça pausas, use a regra 20/20/20, procure um especialista para ter acesso ao melhor lubrificante oftálmico para seu caso, pisque com mais frequência, use lentes com proteção/filtro de luz azul, dê uma pausa nas atividades digitais. Fique mais perto de quem você ama, viva o mundo off-line (:

É importante ressaltar que precisamos da luz azul para viver, aliás, de todo o espectro. Mas não em excesso. Sempre falamos que nosso sistema visual tem que estar em equilíbrio.

Procure seu equilíbrio!

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