Menu Fechar

Apraxia: você conhece?

Oi pessoal, tudo bem aí? Hoje é um dia muito importante. Dia 14 de maio é o dia da Conscientização da Apraxia de Fala na Infância.

Mas antes de começarmos, vamos entender o que apraxia. Segundo a ASHA (American Speech-Language-Hearing Association) – Associação Americana de Fala, Linguagem e Audição – a Apraxia da Fala pode ser explicada da seguinte forma:

Para que a fala ocorra, as mensagens precisam passar do cérebro para a boca. Essas mensagens informam aos músculos como e quando mover para emitir sons. Quando uma criança tem apraxia de fala, as mensagens não são transmitidas corretamente. A criança pode não ser capaz de mover os lábios ou a língua da maneira correta, mesmo que seus músculos não sejam fracos. Às vezes, a criança pode não ser capaz de dizer muito.

Uma criança com Apraxia da Fala sabe o que quer dizer. O problema não é como a criança pensa, mas como o cérebro manda os músculos da boca se moverem.

Às vezes, a Apraxia da Fala é chamado de dispraxia verbal ou apraxia do desenvolvimento. Embora a palavra “desenvolvimento” seja usada, a Apraxia da Fala não é um problema que as crianças superam. Uma criança com Apraxia da Fala não aprende sons de fala em ordem típica e não progride sem tratamento. Pode ser necessário muito trabalho, mas o discurso da criança pode melhorar.

Acho que legal que você também saiba o que é Praxia: é a capacidade que o indivíduo tem de realizar um ato motor mais ou menos complexo, anteriormente aprendido, de forma voluntária, ou seja, sob ordem. Esses movimentos, depois de aprendidos, podem, posteriormente, ser automatizados.

Praxia é, portanto, o resultado de vários momentos, que podem ser resumidos em 3 grupos igualmente importantes: elaboração ou planificação , que tem a ver com percepção; execução, que depende dos aspectos motores associados á esquema corporal, de espaço e tempo; e automatização, que se relaciona à agilidade (ROTTA et al, 2016).

Ressalto também que, sendo a apraxia um problema que afeta as ações musculares – principalmente a parte motora fina, lembro que nossos olhos também realizam ações motoras para que os movimentos sejam conjugados sincronizados. É muito comum encontrar pacientes com apraxia e também problema oculomotores e/ou estrabismo. Fique atento 😉

Aproveito para deixar o site da ABRAPRAXIA, um grupo formado por pais de paciente com Apraxia de Fala que dão super dicas e cursos sobre esse tema. Confira!

E para contar de maneira ainda mais próxima, convidei a Sheila, mamãe da Maria Clara – minha paciente, que tem diagnóstico de Apraxia de Fala:

Desde os 6 meses já era possível observar um atraso motor(como não sou da área da saúde eu dizia ao pediatra que achava ela muito quietinha e que se mexia pouco), mas o pediatra sempre dizia que “cada criança tem seu tempo” mesmo existindo os marcos de desenvolvimento.


A Maria Clara não balbuciava ou tinha alguma intenção de falar e também não engatinhou. Nesse momento também busquei um neuropediatra e lá veio àquela frase padrão “cada criança tem seu tempo”, ela foi avaliada como se nada tivesse.
Mesmo ela estando atrasada com relação aos marcos de desenvolvimento a indicação dos médicos era para que eu esperasse. Também nessa fase do 1 aos 2 anos eu não achei nenhuma fonoaudióloga que quisesse avalia-la, algumas me disseram que era para esperar até os 4 anos.


A Maria começou a andar com 1 ano e 4 meses e caía muito e a fala não apresentava nenhum sinal se evolução. Ela sempre teve uma boa intenção comunicativa, mas não falava e eu conseguia perceber que ela não conseguia.
Comecei a ler e estudar sobre desenvolvimento infantil e assim comecei a buscar terapias que pudessem ajudar no desenvolvimento da minha filha, não foi fácil e teve muito mais erros do que acertos. Paralelamente buscando outros médicos em busca de um diagnóstico e a avaliação era sempre que ela não tinha nada e era para esperar.


Depois de passar por 15 fonoaudiólogas e de muitos achismos, finalmente consegui fechar o diagnóstico de Apraxia de Fala na Infância. Numa pesquisa no Google incansável sobre uma resposta, o meu marido chegou nesse assunto e foi como se estivéssemos vestindo uma roupa perfeita….era algo que descrevia a minha filha. Busquei na época, Maria Clara já com 4 anos e praticamente não verbal, a única fonoaudióloga que tínhamos no Brasil para esse diagnóstico.


A fala dela só começou a melhorar com a terapia direcionada para o planejamento motor da fala, outras terapias de fala não apresentam nenhum resultado para as nossas criança, apenas
a terapia fonoaudiologa de Integração Sensorial, de Psicomotrocidade e de Reeducação Visual foram cruciais na primeira infância.

Como nossas crianças têm uma grande demanda de intervenção terapêutica, para a fala é necessário um trabalho diário, outras terapias vão ganhando espaço e outras reduzindo conforme o desenvolvimento.
Também acho a neuropsicologia extremamente importante nessa jornada e já na fase da alfabetização entra a psicopedagogia.
A alfabetização é um grande desafio para as nossas crianças, elas também apresentam um deficit significativo na área de linguagem.

As crianças com Apraxia tem uma boa intenção comunicativa, mas elas não falam porque não conseguem e não é com um estímulo doméstico que essa fala irá se desenvolver é necessário técnicas específicas para esse desenvolvimento. Mesmo assim esse desenvolvimento é lento porque exige um volume quase que surreal de repetições para se fixar.

Enquanto isso aceite outras formas de comunicação dessa criança. Aceite os gestos, o apontar….facilite o campo visual, arrume a sua casa de forma minimalista, essa criança é desorganizada, desajeitada e tem dificuldade em planejamento e execução de tarefas. Facilite a sua vida com organização e explicação simplista de como as coisas são ou devem ser.

“Seja a voz da criança com Apraxia”

Sheila Pinto, mãe da Maria Clara de 10 anos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *