O que é dislexia?
Segundo Rotta et al, diz que a dislexia é um transtorno específico das operações de reconhecimento das palavras (precisão e rapidez) que compromete, em maior ou menos grau, a compreensão de leitura. Possuem atrasos na leitura e escrita, é um problema persistente (começa na infância e vai até a idade adulta) e resulta de anormalidades do lobo temporal. Ocorre em sujeitos em que a visão, audição e a capacidade intelectual estão dentro da normalidade.
Segundo Border (1973), a dislexia pode ser dividida em 3 tipos:
- Dislexia fonológica ou disfonética: dificuldade na leitra oral de palavras pouco familiares, essa dificuldade encontra-se na conversão da letra-som. Segundo Rotta, esse tipo de dislexia representa 67% das crianças com problemas de leitur e está associado à uma disfunção do lobo temporal esquerdo.
- Dislexia visual ou diseidética: representa apenas 9% das crianças com dislexia e tem como característica problemas de ordem visual, ou seja, o processamento visual é deficiente. Está associado com disfunções do lobo occipital.
- Dislexia mista: compreende 24% das crianças com dislexia, sendo associado à problemas tanto disfonéticos quanto diseidéticos.

É importante destacar que, para que haja uma boa aprendizagem da leitura e escrita, a visão e a audição tem que trabalhar juntas, como um time. Quando a criança aprende a falar, desenvolve consciência fonêmica, que prepara a criança para combinar a visão e a audição (combinação de fonemas e grafemas).
Para uma leitura fluente é necessário que a criança desenvolva a decodificação fonética, que é o reconhecimento de palavras através do som, e também a decodificação eidética, reconhecimento visual da palavra. No paciente disléxico, ele possui um problema da decodificação da palavra.
Entenda a fala subvocal: enquanto você está lendo esse texto, está ouvindo sua voz mesmo que não vocalizando as palavras lidas, pois reconhece-as tanto de maneira visual quanto auditiva. É justamente a sincronia entre essas duas habilidades que é possível ler, escrever e entender o que estamos executando (WALTON e GRIFFIN, 2006).
O que são Movimentos Oculomotores e sua participação na visão?
Nos possuímos movimentos oculares feitos pelos músculos extra-oculares que podem ser horizontais ou verticais. Esses grandes movimentos, nos ajudam a olhar para cima, baixo e na diagonal. Porém, possuímos micro-movimentos chamados movimentos oculomotores e são de 2 tipos: sacádicos e seguimentos. Os movimentos sacádicos usamos para leitura e rastreio do campo visual. Ele está ligado com a atenção visual, e quando chegamos em nosso objetivo, a ausência desse movimento é necessária e chamamos de fixação. Os movimentos de segmento são úteis para seguir imagens que se deslizam pelo campo visual, como seguir uma bola ou acompanhar um pássaro voando, por exemplo.
Isso parece ser muito simples, mas além de serem usados por vias neurológicas superiores, esses micro-movimentos precisam estar coordenados entre os dois olhos e nosso sistema motor. Muitas crianças possuem problemas de leitura e são diagnosticados como dislexia, mas muitas vezes possuem problemas em sua via de entrada. Entre os pontos que precisam ser avaliados, estão os movimentos oculomotores. Crianças ‘disléxicas’ geralmente possuem pobre coordenação entre seus movimentos sacádicos, dificultando o seguimento da linha das palavras impressas, e muitas vezes há salto ou omissão de letras e palavras por um problema neste movimento. Eu coloco disléxicas entre aspas pois, para ser dislexia, a criança deve ter alteração de nível neurológico, não tendo problema auditivos ou visuais. Ter um problema oculomotor pode ser facilmente confundido com dislexia.
A única maneira de saber se é de fato dislexia ou problemas oculomotores, é realizando uma avaliação visual completa com Optometrista Comportamental, que irá avaliação não só a acuidade visual de seu filho e sim, todas as habilidades visuais, incluindo movimentos oculomotores e o processamento visual.
Junto à equipe multidisciplinar, é possível melhorar as habilidades visuais e outras áreas da aprendizagem e processamento que podem estar interferindo no rendimento psicopedagógico desta criança.
BIBLIOGRAFIA
ROTTA, Newra; OHLWEILER, Lygia; RIESGO, Rudimar dos Santos. Transtornos da Aprendizagem: Uma abordagem neurobiológica de multidisciplinar. Artmed, 2º Edição. Porto Alegre/RS.
WALTON, Howard N.; GRIFFIN, John R.; THE VISION-AUDITION-CORTICAL VOCALIZATION CONNECTION IN READING. Journal of Behavioral Optometry. Volume 17/2006/Number 5/Page 128.
Pingback:Live sobre dislexia disponível! | Visão e Aprendizagem
Parabéns Nubia, o assunto está abordado de maneira direta, objetiva e de fácil compreensão. Vilmario.
Vilmario, querido, obrigada pela visita e pelo comentário. Fico feliz que tenha ficado de maneira clara, esse é o objetivo da minha escrita.
Volte sempre, abração!